Quando devo comprar e quando devo vender minhas ações na Bolsa

No filme “Wall Street” de 1987 o personagem de Michael Douglas pronuncia a célebre frase “Greed is good” (“ganância é boa”).

Bem, essa não é uma verdade absoluta quando você vira um “broker” -um investidor caseiro da Bovespa.

Claro, só por estar investindo em ações, e não na poupança, isso já mostra uma ganância implícita sua.

Afinal, você se arrisca um pouco na Bolsa para ganhar muito mais do que se deixasse seu rico dinheirinho em aplicações ortodoxas.

Lembrem-se que é preciso estudar um pouco e entender a dinâmica do valor das ações antes de decidir comprar alguma.

(já falei sobre isso anteriormente, não vou me alongar, no pé deste texto tem outros links, caso tenha perdido).

Mas a verdadeira virtude do investidor, seu verdadeiro talento e arte será dominar a própria ganância. Ou seja, saber a hora de comprar, mas principalmente a de vender.

É preciso antes que você reflita que nível de ganância que você tem. Eu, por exemplo, procuro investir em ações que me deem um retorno líquido de 100% num prazo de até 3 anos.

Isso mesmo. Sou bem ganancioso. Só compro ações de empresas que, no meu entender, tenham a chance de dobrar de valor (e meu dinheiro) num período de até 3 anos.

Como cheguei a essa fórmula? Estudando exaustivamente o mercado, as flutuações das ações, as notícias econômicas, e principalmente as receitas das empresas. Claro, e também o momento em que a empresa se encontra.

Por exemplo, a empresa Y está envolvida em um grande escândalo, mas tem uma receita fabulosa (caso da Braskem em 2015, caso já relatado aqui).

Então o valor de sua ação pode estar até super-depreciado –muito mais pela repercussão do escândalo do que pela sua saúde contábil propriamente dita.

Como o mercado também age às vezes como boiada, muita gente vende qualquer coisa assim que ela sai dos trilhos.

Eu diria que saber a hora de comprar está mais para uma arte. E saber a hora de vender é uma virtude, um dom que o investidor tem de adquirir pelo próprio esforço.

ERA UMA VEZ

Vou dar um exemplo para vocês, que já citei brevemente neste site.

Tenho um conhecido que anos atrás comprou R$ 50 mil em ações de uma empresa do setor aéreo.

Ele foi muito perspicaz e astuto, pois comprou as ações depois que essa empresa teve um terrível revés que atingiu em cheio sua imagem e seu valor de mercado.

Meu amigo fez corretamente a primeira parte do mandamento-chavão da Bolsa: “Compre na baixa, venda na alta”).

Em um prazo de seis meses, porém, a empresa já se recuperava de maneira espantosa.

Cerca de um ano e meio depois que ele havia comprado as ações, seus R$ 50 mil já valiam quase R$ 100 mil.

Se meu amigo tivesse controle sobre a própria ganância e decidisse vender tudo naquele momento, ele teria líquidos  R$ 92.500.

Ou seja, os R$ 50 mil que ele investiu, e, mais R$ 50 mil que ele lucrou –dos quais pagaria 15% para o Imposto de Renda (R$ 7.500). 

Além de ter controle sobre a própria ambição e ganância, também bastaria ao meu amigo fazer uma breve análise do valor histórico da ação daquela empresa.

Se fosse atento veria que a ação estava num pico histórico, sem precedentes, por uma série de fatores (temporários).

PREÇO DA SOBERBA

Mas, não. Em vez de vender ele ficou se gabando do próprio sucesso. Achou que as ações disparariam ainda mais, embora não houvesse naquele momento nenhum motivo para isso ocorrer.

O que aconteceu? Semanas depois a empresa aérea anunciou resultados decepcionantes em um balanço, mais algumas semanas e sofreu um outro tipo de revés, muito pior que o primeiro, aliás.

O valor da ação simplesmente desmoronou.

Desesperado, meu amigo viu seus recém-conquistados R$ 100 mil virarem R$ 80 mil, e depois R$ 60 mil –que foi o momento em que ele se tocou que havia perdido o bonde e decidiu vender tudo às pressas.

Acabou tendo algum lucro, é verdade: R$ 10 mil brutos (R$ 8.500 líquidos).

Mas, para quem já tinha sentido o gosto de um valor cinco vezes maior na conta, ficou na boca –e no bolso– o desagradável sabor da derrota.

POR OUTRO LADO

Nunca se desespere também se a ação que você comprou não tiver a valorização que você esperava, ou mesmo cair. Isso pode durar meses.

Como já dissemos aqui outras vezes, existe uma flutuação intrínseca no mercado acionário, e se você analisou e estudou bastante a empresa que você virou sócio, acredite em sua decisão.

Tenha paciência.

Para um investidor sensato, ainda mais importante que controlar a ganância, é controlar o desespero num momento de baixa.

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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