Cinco catástrofes que podem fazer você perder tudo na Bolsa

Cerca de um ano atrás estreei este site com um único objetivo: prestar algum serviço para os quatro ou cinco leitores que o acompanham.

Notem que:

1) eu faço críticas de cinema para ajudar vocês a decidirem se vale gastar dinheiro em um ingresso, que custa cerca de R$ 35

2) No site também dou aulinhas básicas e gratuitas de piano e teclado para iniciantes.

3) E faço estes textos aqui, com dicas de como investir em ações, como ganhar algum dinheirinho na Bolsa de Valores. É uma opção para não deixá-lo largado na poupança rendendo aquele óbvio ridículo.

Bom, mas eu não sou nenhuma Poliana deslumbrada do capitalismo.

Embora ache que investir na Bovespa é uma das únicas chances, senão a única, de ganhar muito dinheiro em pouco tempo (exceto loterias, heranças etc), ainda assim preciso lembrar que no mercado de ações há perigos de perda de patrimônio –que praticamente inexistem nas aplicações ortodoxas.

Sim, é possível até perder todo o dinheiro na Bolsa e eu listei cinco possibilidades disso ocorrer.

Você decidirá por si se elas são suficientes para mantê-lo longe do mercado de ações.

Empresa que você comprou ações fez tramóias
  1. A empresa da qual você comprou ações tem uma múmia no closet

Sim, isso é uma possibilidade realista. Você compra ações de uma empresa porque gosta ou admira seu produto, sua marca e sua história.

E aí de repente você descobre que a direção dessa empresa é 100% cafajeste, manipuladora, dissimulada e mentirosa. Trata-se de uma possibilidade real.

“Sua” empresa manipulou balanços, escondeu perdas, omitiu sua prática corrupta e de repente a podridão brota graças a um jornalista, um promotor de Justiça, um auditor da Receita ou aos valorosos policiais federais.

A casa desmorona.

Como vocês sabem, isso tem acontecido –com até alguma desagradável frequência– nos últimos anos, no Brasil e no mundo.

É sem dúvida o maior fantasma que assombra um investidor, e o faz pensar 300 vezes antes de trocar uma aplicação ortodoxa pela Bovespa. Não o culpo.

No filme “A Incrível Vida de Adaline”, Blake Lively fica rica comprando ações da Xerox inc.

     2. Empresa que você comprou ações fica obsoleta

Quem assistiu ao delicioso filme “A Incrível Vida de Adaline” (de 2015, com a soberba Blake Lively, foto acima), e prestou atenção, sabe: a quase imortal protagonista investiu, nos anos 50 ou 60, em uma certa empresa chamada Xerox.

Seu consultor ainda tenta demovê-la da ideia, dizendo que, embora sólida a empresa, seriam anos e anos para que ela realmente lucrasse com aquelas ações.

Ao que Adaline responde: “Não tenho pressa.” 

Claro. Ficou milionária (não só com isso, ela era genial em tudo).

Agora imaginem se a semi-imortal Adaline ainda tivesse essas ações da Xerox na segunda metade dos anos 90.

Foi  quando a internet e a digitalização passaram a dominar o mundo.

Ela talvez tivesse perdido muito, pois teria mantido seu dinheiro investido numa empresa que, devido ao destino ou aos rumos da história, poderia se tornar obsoleta. Há outros casos, como a Kodak durante o processo de digitalização das fotos. 

Isso é uma chance real de você ver seu dinheiro voar pela janela.

Você comprou ações de uma empresa, mas seu concorrente tem um executivo gênio

      3. Rival da sua empresa dispara no mercado

Isso pode ocorrer em setores com muita concorrência.

Sempre existe a possibilidade de um executivo ou inventor genial e visionário descobrir alguma nova fórmula, composição, produto ou processo que simplesmente revoluciona seu setor.

Se ele não fizer parte da companhia em que você está investindo em ações, preciso ser sincero e declarar:

Meus pêsames.

NASCEU UM GÊNIO, MAS NO VIZINHO

A disparada ou evolução de uma única empresa num setor tem muitos riscos embutidos: a concorrência (justamente aquela empresinha que você acaba de adquirir um grande lote de ações) pode simplesmente ser sufocada ou vendida a preço de banana.  

Nesse último caso você talvez até nem perca dinheiro, mas só se tiver paciência e sangue-frio ao assistir às negociações, que podem durar anos. Mas muita gente entra em pânico.

Você descobre que a gestão da empresa a qual você comprou ações é demoníaca

       4. Sua empresa tem uma gestão do inferno

Suponha que você comprou ações de uma empresa (familiar) muito sólida e honesta, mas depois que você investiu seu labutado dinheiro algum sucessor morre ou sofre um acidente ou decide mudar de área ou abrir outra empresa, abandonando a família.

E ele era o gênio da casa.

O DIRETOR É UMA BESTA

Mas, a vida é assim mesmo, bola pra frente, um novo presidente é empossado, ou um conselho assume o comando da empresa, e… Olha só que desgraça (para você, claro): essa nova administração é um lixo. Incompetente, burra, desqualificada, uma vergonha.

Não é nem sequer corrupta. É apenas incapaz.

Não estou exagerando. A história corporativa tem muitos exemplos de empresas que sucumbiram por absoluta e completa incompetência de seus administradores.

Nesse caso, o valor de suas ações vai sangrar pouco a pouco, até morrer de hemorragia gestacional. Com isso, adeus, dinheiro investido na Bolsa.

Se a empresa pode se recuperar? Claro, mas apenas se sofrer uma intervenção, ou for vendida.

      5. Acontece tragédia ou cataclismo mundial

Vamos lá, se eu não sou a Poliana das pessoas jurídicas, por que sê-lo-ia das físicas?

A foto já está na abertura desta coluna e eu não preciso reproduzi-la.

Sim, amiguinhos, lamento informar a vocês que nada impede que uma tragédia em escala mundial ocorra a qualquer momento.

Se isso ocorrer seu dinheiro vai virar poeira.

NÃO É NADA PESSOAL, VIU?

Se a catástrofe realmente for planetária, talvez você se sinta reconfortado (qual uma mórbida cassandra espectral) ao saber que não só você, mas TODO MUNDO vai perder dinheiro e patrimônio nos próximos dias, meses, anos.

Pessoalmente imagino que, se houver uma catástrofe que chegue ao ponto de acabar, de destruir o valor do dinheiro –ou seja, se ele não significar mais nada–, sofreremos a barbárie.

Imaginem por exemplo o que ocorreria para o mercado de ações se houvesse um “armagedon” global, ou um cataclismo do tipo, sei lá, exagerando: meteoro se choca contra a Terra.

Isso mesmo: suas ações vão virar pó.

Mas, você precisa ficar alerta para um outro tipo de tragédia possível. Exemplo: a empresa da qual você tem ações tem ou causa um acidente ou incidente gigantesco em escala mundial.

Descobriu-se que o produto que a empresa faz é mortal, cancerígeno, matou milhares e isso foi ocultado, tem trabalho escravo há anos etc.

É uma tragédia para o dono de ações daquela empresa.

Mr. ZUCKERBERG

Outro exemplo? Esse espectro de Juízo Final talvez seja uma das possibilidades que rondam no momento o rico Facebook.

Ninguém sabe como a história do escândalo atual de vazamento de dados de 50 milhões de usuários vai terminar.

Aliás, ninguém nem sequer sabe até onde vão as “falhas” da rede de Mark Zuckerberg e como os próximos capítulos do caso atual vão atingir o valor do Facebook e sua imagem .

Mas, de longe, tudo que está ocorrendo é mais um alerta de que, sim, você pode perder dinheiro na Bolsa.

Enquanto isso, Oremos.

Leia mais dicas de investimento na Bolsa no site Ooops (que não tem capital aberto)

Veja quais são as empresas listadas na BM&F Bovespa  

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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