Em Busca da Superbateria, na Netflix, é como aula de química

"Em Busca da Superbateria"

Quem gosta de tecnologia, documentários e, principalmente, de química, não deve perder “Em Busca da Superbateria”, que chegou recentemente ao serviço de streaming Netflix.

O filme é apresentado por David Pogue, 55, o simpático escritor e apresentador norte-americano especializado em ciência.

Ele aborda um problema crucial que vem impedindo que a tecnologia avance numa velocidade ainda maior que a atual: a limitação físico-química das baterias de íons de lítio.

Quiçá isso esteja ocorrendo graças a Deus, vale dizer.

ÍONS DE LÍTIO

Essas baterias de íons de lítio estão hoje em produtos que a humanidade usa no dia a dia, como celulares, computadores, tablets, relógios digitais e carros, entre outras coisas.

Apesar das limitações do lítio, a ciência ainda não conseguiu achar outro elemento, produto ou substância que tenha capacidade de armazenamento semelhante para esse uso.

Por outro lado, é essa limitação que ainda não permitiu que houvesse uma redução no uso dos motores de combustão no caso de veículos.

Vá lá, como brasileiro, achei que faltou infelizmente ao documentário abordar a história da descoberta do elemento lítio. Motivo ufanista: o patriarca José Bonifácio de Andrade e Silva (1763-1838) esteve envolvido diretamente em sua descoberta.

Aliás, Bonifácio é o único brasileiro que ajudou na descoberta de um elemento químico até hoje.

“EM BUSCA DA SUPERBATERIA” PARA CARROS

Por exemplo, num episódio do fantástico programa “Top Gear” britânico, o apresentador Jeremy Clarkson fez um teste com um dois BMWs de última geração: um com motor convencional e outro, elétrico.

Um pouco antes do final do programa, ele precisa escolher um dos dois para voltar a Londres, e acaba escolhendo o modelo híbrido com bateria de íons de lítio.

Seus colegas (James May e Richard Hammond) se surpreendem, uma vez que Jeremy não parece gostar de carros elétricos.

Então ele faz um mea culpa. Diz que cometeu um erro, pois o modelo híbrido não tinha nem de longe a economia que a fábrica apregoava, e que –grosso modo– era um saco ter de parar toda hora para abastecer o carro com energia.

Enfim, se sentiu ludibriado.

VER TV NO CELULAR? ESQUEÇAM

O que Jeremy aprendeu com o moderníssimo (e lindo) modelo BMW, muitos de nós já sabemos só de lidar com um mero smartphone.

Como colunista de TV, perdi a conta de quantas vezes em minha vida já solicitei à Globo e outras emissoras que me passassem números reais de quantas pessoas de fato assistem TV por celular.

Já pedi isso ao Ibope também

Nunca obtive uma resposta concreta. Quase todo mundo desconversa.

“Não podemos revelar por motivos estratégicos”; “Esses dados são sigilosos”; “Não temos no momento”.

Cascata, minha gente.

De vez em quando até leio algo do tipo “Oh, meu Deus, aumentou em 2.000% o número de pessoas que veem TV no celular”.

Mas, convenhamos, é aquela velha leitura enviesada da estatística. Se zero pessoa faz alguma coisa, e de repente 5 pessoas começam a fazer, pode-se dizer que a tal atividade aumentou uns 500%. Isso é um índice relevante? Não.

FAÇAM VOCÊS MESMOS

Experimentem vocês mesmos, oras.

Deixem o celular com 100% de bateria e tentem hoje mesmo assistir a uma partida inteira de futebol ou mesmo um capítulo inteiro de novela nele.

Vocês certamente verão a bateria esvaziar mais rápido que uma garrafa de vodca de qualidade na boca de um bebum.

Em alguns modelos de celular, aliás, não creio que seja possível nem mesmo ver a uma partida inteira.

A chave desse problema se chama “a limitação da bateria de íons de lítio”.

E é por causa disso que o mundo científico hoje está alucinadamente atrás de outra coisa que aguente alimentar mais tempo nossas necessidades tecnológicas.

Num determinado trecho do documentário (que achei muito curto, aliás) é mostrada a tabela periódica e o estratégico posicionamento do lítio (Li) nela: é o segundo elemento no alto à esquerda da tabela, ao lado do Berílio (Be).

Quem sabe a chave de tudo não esteja apenas um degrau acima, no Hidrogênio –o misterioso e coitadinho elemento sem família: Buuuuuuuuuuuuuu! 👻

Filme: Em Busca da Superbateria

Onde: Netflix

Avaliação:  Muito Bom 🌟🌟🌟

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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