Netflix: Filme desnuda o maior site de adultério do mundo

Crítica do filme "Ashley Madison: Sexo, Mentiras e Ciberataques"

Ashley Madison. Já ouviu falar? É o maior site de adultério do mundo. Ele auxilia a  promover encontros sexuais entre pessoas casadas interessadas em pular a cerca (www.ashleymadison.com).

Exatamente três anos atrás, em agosto de 2015, quase 40 milhões de usuários do “AM”, como era chamado carinhosamente, vazaram no mundo. A ação foi reivindicada por um grupo de hackers.

Havia alguns milhares de brasileiros nas listas também.

Havia inclusive uma forma de identificar os “traíras” por região; Salvador revelou-se então a cidade brasileira com mais casados infiéis.

Se leu até aqui e ficou curioso, você tem de assistir ao ótimo documentário “Ashley Madison: Sexo, Mentiras e Ciberataques”, uma produção original da Netflix.

O filme dirigido pela diretora britânica Havana Marking faz muito bem a lição de casa em termos de apuração jornalística.

Ele investiga desde os primórdios da criação do site em 2001, lançado já com o slogan: “A Vida é Curta, (então) Tenha Um Caso”, na tradução livre.

O que o filme (curtinho, aliás, apenas 53 minutos) investiga principalmente é a estrutura de marketing por trás do AM.

O site contava não só com um autor exclusivo de jingles como ganhou até uma música-tema, além de usar a fama (extra) conjugal de terceiros em benefício próprio.

Por exemplo, ele promoveu certa vez um prêmio “Tiger Woods” de melhores amantes.   

No ano que em o site, sediado no Canadá, foi atacado pelos hackers, sua proprietária, a empresa Avid Life Media, registrou lucro líquido de US$ 55 milhões

VAZAMENTO SUSPEITO

Uma jornalista especializada em mundo digital, porém, foi a primeira a desconfiar de que o vazamento de dados estava estranho demais.

Ela suspeitou que tudo havia ocorrido de forma “roteirizada” além da conta, algo incomum no meio hacker.

E é essa pulga que fica na orelha de quem assiste a “Ashley Madison: Sexo, Mentiras e Ciberataques”: será possível que o próprio site tenha facilitado o vazamento já sabendo que ele levaria a mais lucro do que prejuízo?

E o fez mesmo sabendo que prejudicaria e humilharia milhões de usuários pagos? Hoje em dia, tudo é possível.

Sim, porque nas semanas seguintes ao vazamento o site teve um “boom” de novas inscrições. Pessoas que nunca souberam que o AM existia, correram até ele feito moscas no mel.

O filme tem bons entrevistados e alguns trechos hilários.

ADULTÉRIO E ADÚLTEROS

Uma executiva fala sem medo de como se cadastrou, e como sair com homens do site se tornou uma rotina. Também conta o inferno que o vazamento causou em sua vida, principalmente a profissional.

Um vlogger (lembram disso?) cristão foi desmascarado também pelos hackers, e correu postar um vídeo ao lado da mulher, dizendo que pediu perdão a Deus, e que Deus o perdoou. Como ele sabe disse?

Bem , devem ser os mistérios do “Deus dos hipócritas”.

Um outro usuário confessa que foi contatado por 20 supostas mulheres que ele achou que haviam gostado dele.

No entanto, soube depois envergonhado, 19 delas eram apenas robôs. Esses “bots” eram uma isca para atrair os  tolos para assinar a versão “premium” do site, que tinha de ser paga em mensalmente ricos dólares.

Pior de tudo: o uso de robôs estava previsto nas letras miúdas dos “termos e condições” do site. Uma falcatrua aberta e “legalizada”.

Menos engraçado, porém, é a entrevista com um hacker filipino de uns 20 anos que já havia invadido o sistema do Ashley Madison meses antes do ataque.

O jovem Jayson Batter não só entrou no sistema do AM como escreveu alertando-o sobre a grave falha de segurança. Foi solenemente ignorado.

Foi como se o maior site de traições do mundo estivesse implorando, pedindo para ser invadido e, por sua vez, trair os milhões de usuários que bestamente tinham confiado nele.

Se o escândalo prejudicou o site? Não, como eu disse parágrafos atrás, ele está firme, forte e no ar. Inclusive com um versão exclusivamente brasileira.

O slogan?  Continua o mesmo.

Filme: “Ashley Madison: Sexo, Mentiras e Ciberataques” (2016)

Onde: Netflix

Avaliação: Ótimo 🌟🌟🌟🌟

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Assista ao trailer do filme sobre o site “Ashley Madison”

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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