Lemmy: Biografia mostra um músico ocupado até a morte

Crítica da biografia de Lemmy Kilmister, líder do Motörhead. por Mick Wall

Há uma certa fartura de livros, DVDs e informação a respeito de Lemmy Kilmister no Brasil, inclusive a melhor bio: “Lemmy – A Biografia Definitiva”, de Mick Wall (ed. GloboLivros, 279 págs.)

O livro foi lançado poucos meses após a morte do criador, senhor, líder, mantenedor e profeta da Motörhead.

LEMMY MAIS VIVO DO QUE NUNCA

Pode parecer oportunismo, mas a verdade é que o autor  estava preparando essa biografia desde o final dos anos 90.

Desde 97 mais ou menos a imprensa musical urubulina já cacarejava que Lemmy estava próximo de morrer.

Baseavam-se numas crises esporádicas e no volume de anfetamina que ele cheirava, de Jack Daniels que bebia, de sexo desprotegido que praticava e de noites que não dormia.

No Brasil há três biografias lançadas sobre esse inglês nascido na cidade de Burslem em 1945, além de um blu-Ray e um sem-número de DVDs.

Lemmy teve uma infância bastante sofrida, tendo sido abandonado pelo pai. Acabou desenvolvendo mais carinho pelo padrasto, mas, de forma geral, foi desde criança até a hora de sua morte um ser sozinho. Eu disse sozinho, não solitário.

A vantagem do livro de Mick Wall é que ele foi próximo de Lemmy por quase três décadas.

Não se pode dizer que eram amigos de fé irmãos camaradas, mas Lemmy definitivamente respeitava o jornalista especializado em música e rock.

Mick Wall já escreveu dúzias de biografias e é conhecido pelo estilo fluente e isenção de quem parece gostar e respeitar tudo do rock.

Ao contrário dos inúmeros detalhes da vida de outros seu seus livros,  em “Lemmy – A Biografia Definitiva”, o autor transpõe para as páginas o que há de melhor e mais humano no líder do Motorhead. Menos preocupação com dados e mais com a alma do biografado.

Lemmy era um rabugento, sim, que pela própria aparência, temperamento e bigodão foi comparado ao personagem  Eufrasino Puxa-Brigas, de Pernalonga.

A vida de Lemmy Kilmister (1945 – 2015) é uma das mais fascinantes do rock, pois ele não tinha turminha, não tinha discursos prontos. E tinha uma individualidade notável.

UMA ESPONJA DE ANFETAMINA, WHISKEY E SEXO

Ao contrário do que sua aparência induzia a pensar, era uma das pessoas mais afáveis e gentis que se podia conhecer. E um sedutor também. Calculou ter dormido (sic) com cerca de 2.000 garotas.

Falando em comida de fato, ele se alimentava muito pouco e nunca almoçava.

A partir dos 17 anos mais ou menos admite que bebeu cerca de 750 ml diários de Jack Daniels diluídos em cerca de 2,5 litros de coca-cola.

Também revelou cheirar em média de 2,5 a 3,5 gramas de anfetamina diariamente.

Poucos sabem mas, antes mesmo do Motörhead, chegou a ganhar muito dinheiro com a banda inglesa Hawkwind, de onde foi defenestrado supostamente por se drogar demais. A velha desculpa da banda inteirinha de drogados: vamos malhar um bode expiatório.

Mas, Lemmy deu a volta por cima e a “estreia” do Motörhead ao público se deu justamente na abertura de um show de sua ex-banda.

Ele acabou com o dinheiro que ganhou e durante muitos anos o Motörhead não rendeu quase nada.

Pode-se dizer que ele só se tornou um homem rico depois dos 50 anos e uma penca de gravações e shows.

Lemmy viu os Beatles tocando no Cavern Club. Era fã de John Lennon. Foi roadie de Jimi Hendrix. É um autodidata do baixo e criou um timbre, uma forma de tocar única, embora não fosse considerado um virtuose.

O livro de Wall revela a ascensão, estagnação e queda do Motörhead e de seus integrantes, e como a relação entre o trio original (Lemmy, Phil Campbell e Mikkey Dee) deteriorou até o nível das porradas.

Com várias formações, a banda deixou mais de 20 CDs e uma infinidade de outros registros em vídeo e em participação com outros grupos.

OPERÁRIO ATÉ A MORTE

Até o ano da morte de Lemmy o Motörhead gravou um álbum (“Bad Magic”). Aliás, 16 dias antes de sua morte, ele ainda fez um show (e meses antes cancelara outro no Brasil).

Lemmy morreu com honras de chefe de Estado do mundo do rock e teve a bênção de, quatro dias antes, em seu aniversário, ter sido homenageado numa festa com a nata da música contemporânea na Califórnia.

Disse nunca temer a morte e que já estava preparado para ela há décadas.

Afirma que aproveitou a vida da melhor forma possível, mas lamentava os últimos cinco anos antes de morrer, porque o sofrimento das doenças estava quase fazendo-o esquecer todos os bons momentos.

Rebelde, dizem que usou anfetamina e bebeu vodca até mesmo no dia da morte. Literalmente, viveu como quis até a morte. Longa Vida a Lemmy Kilmister.

Livro: “Lemmy – A Biografia Definitiva”

Autor: Mick Wall

Editora: GloboLIvros

Avaliação: Excelente 🌟🌟🌟🌟🌟

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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