Crítica: “Legalize Já” fala de paixão, timidez e música

Renato Góes e Ícaro Silva são Marcelo D2 e Skunk no filme "Legalize Já"

“Legalize Já” é um drama biográfico sobre (parte da) história de Marcelo D2 e do Planet Hemp.

Não é comum no Brasil que bandas e seus integrantes tenham sua história contada de forma ficcional. O comum aqui são os documentários. Com raras exceções quase nunca isentos –quando não explicitamente bajuladores.

Assim como a banda Planet Hemp, o filme “Legalize Já” nada contra a maré e foge de qualquer clichê, especialmente os do cinema nacional.

Ponto para os diretores Gustavo Bonafé e Johnny Araújo –além, claro do próprio D2.

No filme, Marcelo D2 (incrivelmente interpretado por Renato Góes) está longe de ser um herói.

Ele virou artista por um mero acaso e só por causa dos sonhos de seu parceiro primordial, Skunk (que morreu em 94, interpretado por Ícaro Silva, outra atuação superior).

São seres humanos cheios de conflitos, medos, raivas, rancores. Enfim, gente como a gente que luta para sobreviver.

GAROTOS POBRES DO RIO

Enquanto vende camisetas pretas com logotipo de bandas no Rio, Marcelo acaba cruzando com Skunk.

Não é um bom encontro inicial. Primeiro se ignoram, depois se desprezam, ameaçam e, por fim, rompem as barreiras internas e se tornam parceiros de palco e de vida.

Sim, uma parceria curta, que mal durou um ano devido à tragédia que se abateu na vida de Skunk. Mas o legado está aí até hoje: Planet Hemp é uma das bandas mais energéticas e autênticas que a MPB já produziu.

O primeiro mérito do filme é ter um roteiro honesto e despretensioso. Há também uma mistura muito delicada de imagens, focos, cores… É definitivamente uma grande obra de cinema.

Enquanto luta para se sustentar, Marcelo sofre dois revezes: primeiro o pai (Stephan Nercessian) chuta sua bunda e o põe para fora de casa (“Eu tô fazendo isso pro seu bem!”).

Ao mesmo tempo sua namorada, Suzana (Rafaella Mandelli), engravida e o casal sofre um sério abalo.

O que é curioso é que hoje a gente vê D2 e sua incrível autoconfiança no palco, e não imagina que lá atrás o que havia era um rapaz extremamente tímido, inseguro, fechado e rancoroso com o mundo.

Só que esse rapaz também escrevia letras maravilhosas num bloco de papel encardido e não fazia a menor ideia do tipo de “produto” que já estava fabricando.

Segundo o filme, se não fosse Skunk provavelmente não existiria D2.

“Legalize Já” está longe de ser um filme que conta a história de artistas ou de uma banda.

Muito menos levanta qualquer bandeira de legalização de maconha ou outras histórias do tipo. Esqueça. É só um tributo ao primeiro sucesso do grupo e ao próprio Skunk.

Ele conta apenas a história de seres humanos absolutamente comuns que, no momento em que se encontraram, sofreram uma espécie de reação química e se tornaram não só pessoas melhores, mas artistas admiráveis.

Isso vale para toda a banda, aliás.

Desde já um dos filmes nacionais mais bem-feitos do ano.

Filme: “Legalize Já – Amizade Nunca Morre” #LegalizeJá

Onde: Em cartaz nos cinemas

Avaliação: Ótimo 🌟🌟🌟🌟

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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