Cinema: “O Primeiro Homem” mostra Neil Armstrong herói e humano

Crítica do filme "O Primeiro Homem", com Ryan Gosling

Fanático que sou pelo tema “espaço” desde criança,”O Primeiro Homem” foi um dos filmes que mais aguardei esse ano. E, sabem, valeu a pena. Tem inúmeras qualidades e pouquíssimos defeitos (para mim, pelo menos).

Perfeccionismos estético e narrativo parecem ser já uma marca do diretor Damien Chazelle.

E ele tem a sorte de ter um ator Ryan Gosling, que também é obsessivo com a composição de seus personagens ao nível dos tiques nervosos.

Essa obsessão já podia ser visto no sucesso anterior do diretor, “La La Land”, quando Gosling praticamente tirou de fato todas as músicas que parece tocar no filme.

“O Primeiro Homem” conta um pouco não só sobre os primórdios da Nasa no pós 2a. Guerra, como a história de Neil Armstrong, o famoso primeiro ser humano a pisar na lua.

O retrato de Armstrong não é o de um herói, mas de um americano corajoso que ofereceu várias vezes a própria vida para que o programa espacial evoluísse. É um herói humano.

A Nasa foi um bebê que teve a existência ameaçada várias vezes, por congressistas, militares, presidentes.

Sua necessidade foi questionada até por grupos de defesa dos negros, já que consideravam a agência, digamos assim, um brinquedo inútil e caríssimo do homem branco.

NASA E NAZISMO

Para não dizer que não faltou nada ao filme,  talvez valesse registrar outro tipo de questionamento que o programa espacial sofreu em seus fracassos (e foram muitos): de que era um programa que dependia de  ex-nazistas.

Porém, seu grande mérito é mostrar quanta gente perdeu a saúde, a família, a vida para que o homem chegasse à Lua. Muito dinheiro, gente doente, morta e famílias esfaceladas.

Desde o princípio os voluntários a astronautas –civis ou militares–, sabiam todos os riscos que estavam correndo.

Armstrong teve sorte, sim, mas também foi o mais resistente, genial, criativo e controlado dos candidatos.

Era ótimo piloto e melhor ainda em cálculos. Gosling veste um homem ensimesmado, mas amoroso; pacífico, mas corajoso; questionador e focado.

O filme também me causou deliciosas lembranças pessoais. Tive a sorte de acompanhar a chegada do homem à Lua. Eu tinha seis anos de idade e lembro que mal dormi por três dias, até o pouso.

Isso me transformaria por anos numa “traça” devoradora de todo tipo de literatura sobre espaço, foguetes, astronautas.

Paradoxalmente, um ano antes, quando eu tinha cinco anos, meu pai me deu um telescópio de presente, mas pedi para trocar por um microscópio.

“Saco, Ricardo, que mundo afinal você quer conhecer?”, ralhou enquanto reembalava o telescópio.

O astronauta morreu somente em 2012 aos 82 anos, mas já tinha dado a vida à humanidade 50 anos antes.

Filme: O Primeiro Homem #OPrimeiroHomem

Onde: Em cartaz nos cinemas

Avaliação: Ótimo: 🌟🌟🌟🌟

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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