Cinco biografias sobre Freddie Mercury e o Queen

Freddie Mercury (1946 - 1991)

Com a estreia de “Bohemian Rhapsody”, filme que dramatiza a vida de Freddie Mercury e a carreira do Queen, também surgiram muitas críticas, queixas e dúvidas a respeito da confiabilidade da história.

Primeiro lugar, como todo drama, “Bohemian Rhapsody” tem licenças poéticas, alterações e “leituras” cronológicas diversas.

Muitos fãs da banda têm feito críticas a “mentiras” e “distorções” mostradas no longa. Gente, é um drama, não um documentário. 

Os produtores-executivos foram Brian May e Roger Taylor, guitarrista e baterista do Queen, respectivamente. A ex-mulher de Freddie, Mary Austin, também se envolveu na produção.

Estou citando esses três personagens porque todos estão retratados no filme, e todos de forma extremamente simpática.

Mas, se você ler um ou mais de um dos livros abaixo, verá que outros personagens que fizeram parte da história da banda não concordam com tal imagem simpática.

Especialmente no que se refere a Taylor e Austin, porque May parece em todos os relatos ser um sujeito querido e ponderado (além de guitarrista genial).

Vamos aos livros, em ordem de importância (opinião do autor do texto, claro):

“Freddie Mercury – A Biografia” (Laura Jackson)

Laura é uma biógrafa profissional, já retratou  muitos artistas e faz seu trabalho com afinco. Seu papel, porém, é mais de apuração e de entrevistas com pessoas que conviveram sistematicamente com Mercury. Então em boa parte se trata de um conhecimento confiável, mas de segunda mão. Mesmo assim esse livro traz à tona uma segunda mulher importantíssima na vida do cantor e que não aparece nem de relance no filme (desconfio que Mary Austin não deixou): trata-se da atriz austríaca Barbara Valentin, que também teve um relacionamento amoroso-barra-platônico com Freddie. Barbara teria sido uma das primeiras a saber que Freddie estava com Aids.

Livro: “Freddie Mercury – A Biografia” (2015, Editora Record)

Preço na internet: R$ 20 a R$ 50 (usado)

“Freddie Mercury – A Biografia Definitiva” (Lesley-Ann Jones)

Lesley-Ann  tem um vasto histórico de serviços prestados ao jornalismo musical. Integrou turnês do Queen e frequentou a Garden Lodge, onde Mercury morava. Se considerava sua amiga íntima, mas eu desconfio que isso é um tanto exagerado. Seu livro é o que mais detalha a vida do cantor na infância, em Zanzibar. Pontos altos  são relatos das reuniões de parceria entre Mercury com David Bowie e Michael Jackson. O frontman do Queen chegou a ir a Neverland para tentar compor com MJ (o que não ocorreu). Mais tarde contaria às gargalhadas ao namorado Jim Hutton que, quando entrou no quarto de Michael Jackson, em Neverland, ele ficou pasmo porque não havia cama, só um colchão jogado no chão. Perguntou: “Por que você não tem cama?”; MJ: “Porque quero dormir em contato com o chão, com as energias da Terra”. Freddie retrucou: “Mas seu quarto está no segundo andar!!!”.

Livro: “Freddie Mercury – A Biografia Definitiva” (Lesley-Ann Jones, 2013, ed. Best Seller)

Preço na internet: entre R$ 25,00 (usado) e R$ 55,00 (novo)

A banda Queen em versão dos bonecos Funko, com 3 versões de Freddie Mercury
A banda Queen em versão dos bonecos Funko, com 3 versões de Freddie Mercury

“Queen Nos Bastidores”  (Peter Hince)

O livro tem o longo subtítulo: Minha Vida Com A Maior Banda De Rock Do Século XX”. Peter Hince passou mais de uma década em turnê com o Queen, como funcionário da banda. Eu disse funcionário, não amigo íntimo. Aliás, funcionário e fã doente também. Mas, ele faz parte da história e conta detalhes deliciosos, inéditos e chocantes dos bastidores das turnês, como crises durante transportes, montagens de palcos, brigas de backstage, cuidados com equipamentos e instrumentos, consumo de drogas, claro, e até uma “onda” de hepatite que o mundo do rock sofreu no início dos anos 80. Enfim, é um livro de roadie manager da banda. A obra tem uma grande quantidade de fotos inéditas e lindas, boa parte tirada pelo próprio Hince, que hoje é um renomado fotógrafo profissional.

Livro: “Queen Nos Bastidores”  (Peter Hince, 2012, editora Prumo)

Preço na internet: De 25 (usado) a R$ 40 (novo)

“Freddie Mercury – Memórias do Homem Que o Conhecia Melhor” (Peter Freestone)

Este não é um livro sobre o Queen, mas especificamente sobre a vida pessoal de Freddie. Peter Freestone, hoje com 63 anos, foi faz-tudo, secretário, assistente e até “enfermeiro” de Freddie em seus últimos momentos, ao lado de Jim Hutton (leia próxima biografia) e Joe Fanelli. Freddie o conheceu quando ele trabalhava na Royal Opera House de Londres, cuidando de figurinos. Foi convencido a sair e ir trabalhar no Queen para fazer exatamente o mesmo: cuidar do figurino da banda. Freestone trabalhou e morou com Mercury –que o chamava de Phoebe–, em pelo menos três países. Recebeu 100 mil libras da herança de Freddie, doadas ainda em vida.

Freestone afirma que o cantor o avisou que já estava sofrendo com Aids apenas em 1987; e diz que a banda só soube em 1990. Também não gostava nada de Mary Austin, a quem considerava manipuladora. Seu relato e cronologia coincidem  com os de Jim Hutton.

Livro: “Freddie Mercury” (Peter Freestone, 2014, ed. Madras)

Preço na internet: De R$ 30 a R$ 50 (usado)

“Freddie Mercury – Por Jim Hutton” (Jim Hutton)

Jim era um barbeiro londrino e conheceu Freddie em 1984, quando o cantor já era mundialmente famoso. Só que Hutton não era fã de rock e nunca tinha ido nem sequer a um concerto de quem quer que fosse. Ou seja, não era fã do Queen e nem deslumbrado com a fama alheia. Segundo ele, isso foi uma das coisas que Freddie gostou nele. Fisicamente chegavam a ser até um pouco parecidos, embora Hutton fosse bem mais gordinho. Ganhou cerca de 500 mil libras de herança de Freddie e, ao lado de Joe Fanelli e Peter Freestone, estava com ele no momento em que deu o último suspiro. Hutton conta que, minutos antes de morrer, Freddie ainda teve forças para pedir um pouco sorvete com manga. Só que um pedaço da fruta o fez engasgar e ele quase morreu asfixiado.

Porém, os assistentes conseguiram tirar o pedaço. Não adiantou, porque ele morreria cerca de 30 minutos depois disso. Em comum com a biografia de Freestone, Hutton também descreve Mary Austin como uma pessoa gananciosa, mesquinha, dominadora e insensível. Ele afirma que ela chegou a tentar convencer Freddie a não doar tanto dinheiro a ele e os demais assistentes. Horas depois de Freddie morrer, diz ele, Mary foi até a residência Garden Lodge e lhes pediu para deixaram o local o mais rapidamente possível. “Fomos enxotados”, conta. Ela também colocou “vigias” para impedi-los de roubar quaisquer objetos da residência. Como se eles fossem desonestos e suspeitos. Jim morreu em 2010, de complicações pulmonares.

Livro: Freddie Mercury – Por Jim Hutton, 2005, editora Lira)

Preço na internet: de R$ 60 a R$ 199 (usado)

Leia outras críticas de cinema e de música no site Ooops

Veja o trailer de “Bohemian Rhapsody”

 

Veja a biografia de Ricardo Feltrin

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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