Cinema: “De Repente Uma Família” é conto de altruísmo

Crítica da comédia "De Repente Uma Família", pelo jornalista Ricardo Feltrin

“De Repente Uma Família” é uma comédia dramática estrelada por Mark Wahlberg e Rose Byrne, que interpretam um casal que se ama, trabalha junto e não tem filhos. Mas, não descarta adoção.

Sim, eu sei. O cinema tem uma infinidade de dramas e comédias sobre órfãos, famílias adotivas, crianças abandonadas, centrais de acolhimento, Varas da Família etc.

Mas, esse, vai um pouco além: discute a adoção de mais de uma criança de uma só vez; discute a adoção de irmãos, de adolescentes, de crianças e jovens que já passaram por muitos lugares após sofrerem desprezo ou abuso, tanto faz.

É essa discussão que faz o filme valer a pena, embora acredite que as duas horas de duração são um pouco exageradas e que o filme poderia ser mais sucinto.

Pera. No primeiro parágrafo eu disse que Wahlberg e Byrne são protagonistas, certo?

Mas, é justo dizer que em “De Repente Uma Família” há duas  outras personagens em que o filme se sustenta: a jovem atriz Isabela Moner e a veterana Octavia Spencer.

Mas vamos ao enredo.

DE REPENTE UMA FAMÍLIA (LOUCA)

Pete (Wahlberg) e Ellie (Byrne) entram em um grupo de aconselhamento para pessoas interessadas em adotar. A família de Ellie é disfuncional, assim como a mãe de Pete.

Na verdade são um bando de loucos enxeridos e competitivos.

O casal conhece Lizzie (Isabela Moner), uma adolescente latina que foi abandonada com mais dois irmãos menores pela mãe, uma viciada em crack.

Lizzie e os irmãos moram no momento com um casal de oportunistas e interessados apenas na, digamos, “bolsa família” que o governo dá para quem faz adoção. São crianças abandonadas, tristes e ignoradas.

Pete e Ellie decidem iniciar o processo de adoção tripla, mas vão enfrentar uma infinidade de problemas: com suas próprias consciências, com o casamento, com o passado das crianças, com a insegurança e com a falta de paciência de todos os lados.

Durante todo o filme há definitivamente uma mensagem muito bonita, encantadora e principalmente esclarecedora: não é qualquer um que pode ter essa experiência.

O irmão de Lizzie é um menino sem a menor auto-estima, carente e apavorado. A irmãzinha caçula oscila entre um ser angelical e a menina possuída de “O Exorcista”.

A personagem Lizzie é impressionante: a atriz transmite com veracidade todo o turbilhão, crises, altos e baixos e expressões de uma adolescente que passou a infância tendo de cuidar  dos irmãos porque a mãe era uma drogada irresponsável.

Outra personagem fantástica é a de Octavia Spencer –uma assistente social que não está ali para ludibriar e atrair pais adotivos. O que ela procura são pessoas especiais capazes disso.

Vou confessar que, pelo trailer, eu esperava bem menos, que talvez fosse uma comédia rasa e meio pastelão. Grato engano. “De Repente Uma Família” me surpreendeu, positivamente, e muito.

Bela história. Desfecho emocionante.

Filme: De Repente Uma Família #DeRepenteUmaFamília

Onde: Em cartaz nos cinemas

Avaliação: Muito Bom 🌟🌟🌟

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Veja o trailer de “De Repente Uma Família”

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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