Como Treinar Seu Dragão 3: A mais doce das animações

Cena de "Como Treinar Seu Dragao 3"; crítica do filme por Ricardo Feltrin, site Ooops

É obviamente uma questão de gosto, mas “Como Treinar Seu Dragão 3” fecha a trilha daquela que o site Ooops considera a melhor das animações. É o mais belo dos desenhos, e tem os personagens mais fofos e queridos.

“Toy Story”, “Shrek”, “A Era do Gelo”, claro, são também histórias graciosas. Mas, acredito que nada se aproxima da sensibilidade, da auto-aceitação e da doçura que há por trás dos três longas com o dragãozinho Banguela e seu tutor, o atrapalhado Soluço.

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A animação está em cartaz nos cinemas, em versões dublada, legendada, 2D e 3D. Pessoalmente, não vejo necessidade alguma de ver na cara versão 3D. A história em si é atemporal e atravessa todas as dimensões, inclusive a que existe entre seres vivos. Então, pouco importa a projeção.

Para começar, é um raro desenho que aborda a deficiência física sem muito mimimi e autocomiseração. Banguelinha nasceu com um defeito físico: ele não tem um pedaço da cauda, o que o impedia de voar.

Até que um menino bacana, Soluço, o encontra numa ilha e passa a se aproximar dele. A aproximação causará, entre outras coisas, a reabilitação de Banguela (que ganha uma prótese) e a perda de um pedaço da tíbia de Soluço, que se torna também um ser vivo com defeito físico.

SEM COMISERAÇÃO

O que chama a atenção é que nenhum momento os personagens lamentam o que o destino lhes causou. Pelo contrário, é justamente isso que os une e os transforma em exemplos de coragem e autoconfiança. É tudo muito emotivo, mas sem nenhum clichê.

Se fosse para classificar a trilogia em temas eu diria que “Como Treinar Seu Dragão 1” fala sobre dor, medo e desconfiança. O 2º é sobre amizade, respeito e coragem; o 3 é sobre abnegação, amor e cooperativismo.

Eu diria ainda que a história de “Como Treinar Seu Dragão” está para os desenhos como “A Forma Da Água” (Oscar de Melhor Filme em 2018) esteve para os filmes.

Os dois tratam da convivência, amizade e amor entre espécies. Ok, em “Como Treinar Seu Dragão” não há sexo entre as espécies. Mas, de qualquer forma, ele está lá no meio na história também. Inclusive com sua maior consequência: filhos e filhotes.

COMO TREINAR SEU DRAGÃO 3…

Dessa vez o dragão pretinho Banguela, da espécie Fúria da Noite, também encontrará sua paixão: a fúria da luz, uma adorável “dragãozinha” que balançará sua cabeça bastante desmiolada.

Há no filme um trecho de pelo menos uns 15 minutos de interação entre os dois, desde o momento em que finalmente se encontram voluntariamente até o primeiro toque de ambos.

Claro, passando por uma das danças do acasalamento mais imbecis, desastradas e divertidas de todos os tempos, graças à falta de jeito de Banguela com as garotas.

Esse também é um dos trechos mais doces, em que é possível ouvir crianças e adultos exclamando no cinema: “Nhoooooooo!”

O desenho é muito lindo e muitos trechos (como o das cataratas, você verá) são de uma riqueza surpreendente. Não só pelo grafismo e tecnologia envolvidos, mas pela sensibilidade das imagens e situações criadas.

Feito para crianças e adultos, ele nos ensina a evoluir e a sermos melhores seres vivos do que somos.

Filme: “Como Treinar Seu Dragão 3”
Onde: Em cartaz nos cinemas
Avaliação: Maravilhoso

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Assista ao trailer de “Como Treinar Seu Dragão 3”

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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