Netflix: “After Porn Ends 3” aborda o pior do pornô

Crítica do filme "After Porn Ends 3", documentário na Netflix, feita por Ricardo Feltrin, site Ooops

“After Porn Ends 3” foi lançado no ano passado e está disponível no serviço de streaming Netflix.

Como o próprio título mostra, é o terceiro documentário de uma série que, se depender de audiência, pode se prolongar por anos, e não se limitar apenas a uma trilogia sobre os bastidores nada glamourosos do mundo da pornografia nos EUA e na Europa.

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Os três documentários estão entre os mais vistos (pelo público masculino) da Netflix e têm ótima avaliação. De fato, é um bom trabalho jornalístico nos três casos.

“After Porn Ends” (1) foi lançado em 2012 e trouxe depoimentos revelações dos pioneiros do pornô nos EUA. Considero o mais “chapa-branca” dos três. Pouco senso crítico.

O segundo, lançado em 2017, já resolveu essa falha e conta histórias realmente reveladoras (e tristes) sobre ex-atores e atrizes desse setor. Um dos depoimentos mais impactantes é o da ex-atriz pornô norte-americana Janine Lindemulder.

Loira, tatuadíssima, Janine, hoje com 50 anos, conta no filme como enfrentou e perdeu uma custosa e dolorosa batalha judicial sobre custódia de sua filha contra ninguém menos que Sandra Bullock.

A estrela de Hollywood à época namorava um apresentador de reality de carros chamado Jesse James (de quem Janine havia se divorciado em 2004).

O AFTER PORN ENDS PESADO

Já “After Porn Ends 3” (2018) é literalmente pesado. Em todos os sentidos.

O documentário –dessa vez dirigido pela ex-atriz pornô Brittany Andrews– aborda justamente o cinema pornô pesado heterossexual e machista da pior espécie.

São vários degraus acima do se conhece como “hardcore sex” ou sadomasoquismo. É violência pura.

Essa “categoria” do pornô envolve humilhação, desprezo, agressões de todos os tipos, escatologia da pior espécie e tudo no contexto da mulher tratada como uma espécie de lixo penetrável e inútil.

Vocês acham que só doentes assistem a isso?

SÃO 40 MILHÕES DE DOENTES?

Pois em 2014, segundo o documentário, uma média de 40 milhões de computadores diferentes acessavam todos os meses as páginas dos maiores sites “especializados” nesse sexo depravado.

Se você for muito otimista pode calcular que são 40 milhões de “doentes”. Mas, nem sempre um computador é usado por apenas uma pessoa.

E isso provavelmente não incluir audiência de “telespectadores” que usam softwares para navegação 100% sem rastros ou via “deep web”, que não é medida pelas ferramentas de audiência de internet (e boa parte de quem gosta desse tipo de pornô usa a deep web).

Para efeitos de comparação, 40 milhões de usuários era em 2014 superior ao que sites como o da CBS e NBA registravam naquele ano.

Pessoalmente, não vejo motivos para que essa situação tenha mudado desde então.

Vale dizer que não há imagens aterradoras em “After Porn Ends 3”. Nada chocante ou escatológico.

Mas, alguns casos abordados e depoimentos em primeira pessoa, beiram o absurdo e a gente termina o filme achando que, definitivamente, deveriam ser enquadrados como crimes.

Numa lúdica e triste comparação cinematográfica: “After Porn Ends 3” é mais ou menos como “O Exorcista 3”: não tem uma gota de sangue, mas você termina o filme de cabelo em pé.

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Filme: “After Porn Ends 3” #AfterPornEnds3
Onde: Netflix
Avaliação: Muito Bom 🌟🌟🌟

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Trailer de “After Porn Ends 3”

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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