Tema árido empaca filme “O Gênio e o Louco”

Foto: Mel Gibson e Sean Penn em cena de "o Gênio e o Louco". crítica de Ricardo Feltrin, site Ooops

O filme “O Gênio e o Louco”, em cartaz nos cinemas, não é nenhum suspense ou terror, diferentemente do que o nome pode fazer crer. Pelo contrário.

Se o filme causa susto em alguém é àquele desavisado que for assistir sem ler a esta sinopse crítica. Eu sugiro.

Com Mel Gibson e Sean Penn, o filme conta em 120 minutos sobre o nascimento e a história de um dicionário, o famoso Oxford. Trata-se portanto de um tema árido ou desinteressante para muita gente.

Estão todos avisados agora. Dito isso, vamos a uma rápida sinopse.

O GÊNIO E…

O professor Murray (Gibson) é um escocês autodidata e gênio sobre línguas.

Ele é aceito de mau gosto na fresca sociedade intelectual “oxfordiana” porque é o único capaz de iniciar um ambicioso projeto: um dicionário com TODAS as palavras existentes em ingês, bem como sua história e “genética”.

Para levar a cabo a missão, dr. Murray convoca todos os britânicos a enviarem palavras que já leram, e , se possível, o trecho que leram, o autor, o século etc.

No filme estamos no final do século 19 e a sociedade britânica, ávida por leitura, colabora com entusiasmo com o dr. Murray e sua equipe. Os correios ficam até sobrecarregados. O objetivo é colocar uns 400 anos de palavras inglesas no papel.

Mas, algumas palavras são verdadeiros mistérios para dr. Murray e sua equipe. Como “arte” (art), por exemplo, a qual não conseguem encontrar a origem pelos séculos..

…O LOUCO

Corta para Sean Penn, o Louco do título do filme, que interpreta o norte-americano William Minor, ex-oficial da União e originário de uma família de posses.

Atormentado, ele matou por engano alguém nos EUA e fugiu para a Inglaterra. Lá, é preso e julgado, enviado para uma espécie de prisão manicômio.

Louco, mas genial também, superdotado intelectualmente, esquizofrênico, paranoico, violento consigo próprio, dr. Charles Minor é tratado com grande respeito na prisão.

Enquanto isso é estudado pelos “especialistas” e “psiquiatras” da época. E tem vários de seus desejos atendidos, entre eles o de receber livros. Duro é achar um que ele ainda não leu.

Dentro de um desses livros ele vai achar a “convocação” do dr. Murray pedindo ajuda para o dicionário Oxford. O perturbado Charles Minor vai se tornar a chave que impulsionará a história dessa obra, que hoje tem 301 mil verbetes, 158 mil combinações de vocábulos, mais de 1,2 milhão de citações literárias.

GÊNIO, LOUCO E LENTO

Murray e Minor se tornarão almas gêmeas nessa grandiosa tarefa, que, aliás, ambos não vão ver terminar. Não é spoiler, mas o dicionário só ficou “completo” com todas as letras do alfabeto, pela primeira vez, quase no final da década de 30.

O filme, para ser sincero, não é uma grande obra cinematográfica, embora sua história seja fascinante (ainda mais por ser real).

É arrastado, lento, tem um final problemático, para quem não entende regras da “sociedade oxfordiana de línguas” (100% do público).

Mas, ambos –Gibson e Penn–, estão em um grande momento, ao lado de outras atuações fantásticas, como as de Eddie Marsan e Steve Coogan.

Além disso, 90 anos depois, os drs. Murray e Minor seguem vivos nos 20 volumes e 21 mil páginas do Dicionário Oxford. E contando…

Filme: O Gênio E O Louco #OGênioEoLouco
Onde: Em cartaz nos cinemas

Avaliação: Bom 🌟🌟

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Trailer de “O Gênio e o Louco”

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Sobre:

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

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